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Maria Montessori e os Períodos Sensíveis no Desenvolvimento

Para o desenvolvimento feliz e pleno das crianças, a Dra. Maria Montessori recomenda um ambiente preparado no qual a criança, livre da intervenção adulta indevida, possa viver sua vida de acordo com as leis do seu desenvolvimento.


(Menina de cinco anos em intensa concentração, fazendo bolhas de sabão!)

Quais são essas leis de desenvolvimento?

• São estágios sucessivos que a criança atravessa.
• Cada estágio tem suas características únicas que requer ambiente e tipos de ensinamento específicos.
• Cada estágio tem uma coisa em comum: tem seus períodos sensíveis, ou momentos particulares quando a criança é atraída a certas atividades a fim de que o desenvolvimento específico ocorra.
O que é um período sensível?

O que exatamente é um período sensível?

• Uma sensibilidade especial que desperta um poderoso desejo espontâneo para aprender e adquirir mestria em alguma habilidade ou conceito.
• Um período de duração transitória e variável.
• Uma época especialmente devotada à aquisição de uma característica particular.
• Uma vez que a característica seja adquirida, a sensibilidade desaparece.

"Uma criança aprende a se ajustar e fazer aquisições em seus períodos sensíveis. Esses são como um raio que brilha interiormente ou uma bateria que fornece energia. É esta sensibilidade que capacita a criança a entrar em contato com o mundo externo de uma maneira particularmente intensa. Nesta época tudo é fácil, toda vida é entusiasmo. Todo esforço marca um aumento em poder."
Maria Montessori

Os adultos não têm influência direta nesses períodos. Não podemos encorajá-las a começar nem podemos comandá-las a parar. Tudo o que podemos fazer é preparar um ambiente que encoraje e nutra o desenvolvimento espontâneo.


Um clássico exemplo de um período sensível é a aquisição da fala.

Ela começará quando estiver pronta e, uma vez que começou, nada fará a criança permanecer calada. Não pode parar porque está agindo de acordo com os próprios ritmos e ciclos da força vital. A criança colocará atenção particular na voz humana e imitará os sons que ouve. Balbuciando milhões de sons, ela eventualmente adquire a fala. Esta fala será em qualquer linguagem/idioma que as pessoas que a cercam falam, não importando o quanto possa ser simples ou complexa.

Reconhecendo os períodos sensíveis

• Podemos reconhecer um período sensível acontecendo quando vemos nosso filho(a) desenvolver uma paixão por um certo brinquedo ou atividade.
• A criança pode estar tentando adquirir equilíbrio e sente-se atraído em caminhar nas fendas das calçadas ou ao longo do meio-fio.
• Ela pode ser atraída a pegar objetos pequenos de todo tipo para desenvolver a habilidade de segurar como uma pinça, a motricidade fina.
• Seu filho(a) vai repetir espontaneamente a atividade várias vezes, até que um dia o ciclo termina.
• A atividade pode não parecer significativa para nós, mas vai cumprir alguma área do desenvolvimento mental ou físico; pais e babás perceptivos irão permitir a atividade.
Quando a aquisição foi realizada, a ação ou o material que facilitava o desenvolvimento perde a sua fascinação. O sistema Montessori é baseado em prover materiais convenientes a esses períodos sensíveis de interesse espontâneo. Você também pode fazer isso em casa.

Perder um período sensível ao não ter uma atividade externa correspondente ao desenvolvimento interno, é como soltar um fio na malha.

Se você solta um fio, seu tecido não é tão forte ou bonito quanto poderia ter sido. Mais importante do que o grau eventual de perfeição que pode ser alcançado é a deformação do ser que pode ocorrer quando um período sensível é ignorado ou de alguma forma bloqueado.







O que acontece quando um período sensível é bloqueado?

Maria Montessori acreditava que quando um período sensível é bloqueado, a criança reage para defender seu crescimento interno e integridade.

Muitos acessos de raiva acontecem como resultado de um período sensível frustrado. Imagine, por exemplo, uma criança pré-escolar tentando com grande concentração abotoar sua blusa e, na nossa pressa, intervimos e fazemos por ela. A criança rompe em lágrimas e ficamos todos perturbados. O que aconteceu? Acabamos de interferir com um ciclo de mestria e a criança reagiu da única forma que conhece para defender o crescimento de sua mestria pessoal.


Montessori explica que esses acessos de raiva são expressões de alarme e de defesa do desenvolvimento interno. A alma se queixa através da única forma que conhece. A crise cessa logo que exista a possibilidade de satisfazer a necessidade.

"Se durante esse estágio sensível a criança é confrontada com um obstáculo ao seu trabalho, ela sofre um distúrbio ou mesmo uma deformação do seu ser, um tormento espiritual que ainda é muito pouco conhecido, mas cujas cicatrizes são levadas inconscientemente pela maioria dos adultos.”

Lágrimas Manhosas?

Outro exemplo que Montessori escreve relaciona-se a um desejo vigoroso por ordem, baseado na necessidade da criança ser orientada no ambiente. Havia um bebê, uma menina, que amava tomar banho. A criança foi acostumada a tomar banho na pia grande da cozinha da família. Um dia a babá banhava a criança na pia, conforme foi instruída, mas a bebê ficou histérica. Quando a mãe e a babá conversavam sobre isso, descobriram que a mãe sempre colocava sua filha sentada de frente para a torneira, enquanto a babá a tinha colocado em direção oposta à torneira. Isso foi o bastante para violar o sentido de ordem da criança e ela gritou em protesto.

Felizmente, os períodos sensíveis não são sempre assim tão dramáticos! Eles passam quase despercebidos quando o ambiente da criança corresponde adequadamente às suas necessidades internas.

O Valor psicológico e educativo dos períodos sensíveis

Maria Montessori foi a primeira a descobrir a importância psicológica e a especial importância dos períodos sensíveis no desenvolvimento humano. Quando a educação é organizada levando em conta os períodos sensíveis de desenvolvimento, as crianças aprendem sem esforço e com um interesse e entusiasmo contínuos, quase inacreditável de se observar. Esses períodos sensíveis relacionam-se com o movimento, a linguagem, a matemática, a absorção sensorial, o decoro social e muito mais.


Este menino de cinco anos de idade escolheu ficar várias horas fazendo esse trabalho de matemática.
Qual a razão de ter feito todo esse trabalho senão por um poderoso ímpeto interno?

A idéia é prover um ambiente preparado que contenha atividades externas que coincidam com as necessidades de desenvolvimento internas. Permite-se que a criança escolha livremente suas atividades. Quando ocorre a “grande parelha” da atividade externa com o ímpeto interno, cada esforço da criança traz um incremento de poder. Muitas vezes falhamos em reconhecer o significado e o potencial desses períodos. Talvez seja porque tomamos como certo o progresso estupendo que vemos as crianças fazerem a cada dia.

O trabalho da criança

A qualidade do trabalho da criança durante os períodos sensíveis é muito diferente do nosso trabalho. Nós trabalhamos para ter a tarefa cumprida, enquanto a criança trabalha porque isso proporciona satisfação interior. Ela trabalha por causa da absoluta alegria do auto-desenvolvimento.

Honrando o trabalho da criança

Como pais e instrutores o mais importante é aprendermos a reconhecer e honrar o trabalho da criança – que é o seu esforço para construir o homem de amanhã. Sempre que observarmos nossa criança atarefada em atividade inteligente, precisamos permitir que seu ciclo de atividade se complete.

Assim, quer seu filho esteja aprendendo a falar, colocando feijões a colheradas de um prato para o outro, caminhando nas fendas das calçadas para coordenar os movimentos ou praticando como escrever as letras do alfabeto, uma das suas tarefas essenciais é simplesmente permitir que a criança siga o ímpeto interno para a aprendizagem. Conforme começamos a notar e a apoiar o aprendizado espontâneo da criança, ela verdadeiramente se torna o nosso professor.



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